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O Povo Panará

Panara é nosso nome verdadeiro, que significa grupo de gente. Nós temos uma história de luta e resistência. Nossa cultura ainda é forte, mas foi enfraquecida pela expulsão do nosso território originário.
 

Somos um povo resistente que guarda em suas memórias as origens da região leste do rio Araguaia e nossas aldeias antigas na região do Peixoto, no Pará. Vivíamos em muitas aldeias, com muito alimento, sem doenças e sem a presença dos não indígenas.

Somos o povo das roças redondas, do amendoim, de várias festas e estamos organizados em clãs. Nossos clãs são: Kuakiatantêra que é a parte de baixo do tronco do Buriti; Kuasatantêra que significa a parte de cima da árvore do Buriti; Kuasirãntêra que é a parte da costela; e o clã Krerõwantêra que é a parte da cintura reta. 

 

Os clãs são como nossas famílias foram organizadas, para não ocorrer casamentos entre os membros do mesmo clã/parentes. Até hoje, a gente pode casar com os outros três clãs, mas não podemos casar com o mesmo clã. Cada clã ocupa uma parte da aldeia e esses grupos estão na direção dos pontos cardeais norte, sul, leste e oeste.

Nossa história

Quando os brancos nos viram, começaram a nos chamar de Kreen-Akarore, que era o nome que os Kayapó nos chamavam. No passado, antes dos brancos, tivemos muito conflito com os Kayapó. Não tinha branco, só existiam indígenas, nossos parentes e a gente brigava. Mas antes do contato a gente não vivia só em conflitos com os Kayapó, vivíamos bem, com saúde, com muitos alimentos, realizando muitas festas e tínhamos várias aldeias.
 

Depois chegou o branco, e fez a estrada grande (BR-163) atravessando nossas aldeias, e começou a morrer o povo Panara. Nossos parentes morriam de doenças que não conhecíamos (gripe e o sarampo). Morreram muitas pessoas, sobraram poucos Panara. Foi aí que os brancos fizeram contato, e fez transferência para o parque do Xingu, nos expulsando da nossa terra tradicional.

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No Xingu, morreram muitos Panara também, ficamos procurando lugar para fazer aldeia e roças, mas não conseguimos. Não tínhamos aldeia fixa.
 

A gente fez aldeia com os Kaiabi e os Suyá. Mas a vida no Xingu não deu certo. Não era nosso lugar. Lá a roça não dava certo, e não tinha nossa floresta, os alimentos e os recursos que a gente conhecia. No Xingu tínhamos muitos conflitos com os indígenas que moravam lá.
 

Aí os velhos pensaram muito para voltarem para a nossa terra verdadeira, porque perceberam que nossas plantas, alimentos e açaí que a gente comia, não tinha lá. Pensaram nos alimentos da roça também. Lá a terra não era boa de plantar.
 

E aí pensamos em voltar, para procurar a terra que sobrou, pois não sabíamos se o branco tinha acabado com tudo. Foi aí que a gente descobriu que no lugar das nossas aldeias construíram cidades: Colíder, Peixoto, Guarantã, Terra Nova, Matupá, Novo Mundo, Serra do Cachimbo, e Sinop.

Chegou um antropólogo que ajudou o povo Panara, aí veio o pessoal do ISA também e ajudou a organizar para a gente procurar o território.
 

O território original, o branco já destruiu tudo.

A gente subiu até lá para procurar lugar bom, para procurar aldeia. Lá fizeram derrubada para a gente fazer aldeia, mas não deu certo. A gente voltou, passou na aldeia Kubenkokre e subiu pelo rio. Aí, a gente subiu, viu esse lugar com mato baixo e começou a derrubar para fazer a aldeia. Enquanto fazia a aldeia, a gente ficava no Xingu.

A aldeia era pequena, mas a gente deixou o Xingu e voltou para cá. Muita luta, nossa terra foi dermarcada. Os anciãos já morreram, os que têm, estão velhos. Até hoje estamos aqui. A população aumentou, tem comida boa. Nossa população aumentou muito. Hoje somos 7 aldeias.

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